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Banana

Primeiramente: Há os Indignados e Há os Bananas
Lí e concordei com o que o Clóvis Rossi disse, me identifiquei não só por pensar o mesmo como por também me sentir uma banana amarrada, frágil enquanto unidade, ofuscada pelo emaranhado turbulento de baboseiras misturadas com indignações virtuais, insignificante tamanha a podridão e a força dos corruptos e governantes do Brasil. Políticos esses que somam seu poder com a própria polícia, grandes empresas, advogados, contadores, juízes, emissoras, imprensa, facções bilionárias e até caseiros. Me sinto uma banana quando me deparo com grandes vilões, os eternos caras de pau do senado, passando ilesos por seus crimes, sendo afagados pelas nobres leis que se criam e se modificam apenas para satisfazê-los. Me sinto uma banana vendo a corrupção ser recompensada, protegida, e a honestidade sendo transformada em sacrifício.
Também me sinto uma banana quando vejo todos os impostos escoando em cachoeiras para usos pessoais, pelo egoísmo e malandragem, heranças leprosas dos exploradores e ratazanas, tumores da sociedade que por aqui se reproduziram aos baldes. Aliás, me sinto uma banana dentro de uma sociedade que foi educada na base do “jeitinho”, e que preenchem suas vidas com cachaça, novela, religião, bunda, futebol e isso basta. Só mesmo uma banana quer falar de coisa séria em pleno carnaval. Ninguém fala mais alto que o samba.
É o país da fé em Deus, do Deus é fiel, e do se Deus quiser. Me sinto uma banana cética e excluída por não acreditar que é Deus quem tem que querer, somos nós. Não é Ele quem vai resolver, nem punir, nem votar. Não é Ele quem vai sofrer, morrer, educar, passar fome, enfrentar o SUS, levar bala perdida, pagar as contas, os impostos, os seguros. Sinto que o caso aqui é de falha humana embora a solução seja milagrosa.
Me sinto uma banana quando vejo jovens e adultos de outros países protestando, denunciando, pedindo satisfações, providências e resultados. Me sinto uma banana vendo nos noticiários cidadãos com medo de falar, gente morrendo porque luta por uma causa, porque defende, porque resolveu falar, investigar ou prender. Me sinto uma banana porque vejo o poder que a televisão tem, e é desperdiçado em informações pomposas, decoradas em palavras rebuscadas e neutras que pouco ajudam. O resto é facilmente diluído em distrações e desinformações de futilidade pública.
Vivo com medo, vivo indignada e me sinto absolutamente impotente. E aí me sinto uma banana quando resolvo protestar e encontro 30 outras bananas indignadas sendo ignoradas na Av. Paulista.
Me sinto uma banana vendo esse papo todo de sustentabilidade sendo só da boca para fora, observando nosso tesouro natural sendo despedaçado, explorado, negociado, morrendo sem nenhum respeito. Não vou nem falar dos animais, porque afinal de contas defendê-los hoje em dia passou a ser coisa de banana. O que esperar de um país que não liga nem mesmo para suas crianças, muito menos para os idosos que contribuíram a vida toda para esse picadeiro ingrato e egocêntrico. O que esperar de uma sociedade que vê raça, credo, opção sexual, conta bancária e sobrenome, mas não vê caráter, só vê cara, coroa e não tem razão.
Me sinto uma banana vendo alianças serem formadas por partidos que deveriam garantir ordem e progresso para seu povo, conchavos e politicagens que visam nada mais do que prazeres, direitos e regalias individuais, familiares e financeiras. Me sinto uma banana vendo esse jogo de xadrez enterno, sendo testemunha das manobras escabrosas tão friamente calculadas, num tabuleiro feito de sangue e suor brasileiro, sustentando as peças das leis arcaicas e levianas para deleito dos poderosos. Mais banana ainda me sinto quando vejo os mesmos escolhendo seus próprios salários, negociando favores, subornando, chantageando, matando, vendendo informações, influências, contratos, licitações, empresas fantasmas… e dando para seu povo apenas esmolas em saúde, segurança e educação. É crise nos ministérios, escândalos na casa civil, desvios, é o deslavamento de tudo que é dito, o esfarrapamento das desculpas que nos dão. Pior ainda, eles são reeleitos. Falta memória, informação, vergonha na cara, amor próprio, interesse? Somos cegos, surdos e mudos? Somos poucos?
Me sinto uma banana porque as leis não nos protegem deles, são eles que estão protegidos da gente.
Me sinto uma banana vendo não só a injustiça e a impunidade mas também a violência, sentindo ela na pele, na testa para ser mais exata, na forma de um cano gelado de ferro apontado diretamente para minhas idéias de banana. Me sinto uma banana quando é um “menor” que faz isso me chamando de vaca, justo eu que desejo de todo coração que ele não precisasse estar fazendo isso, nem comigo, nem com ele, nem com ninguém. Me sinto uma banana porque esse menino está marcado pela negligência e está destinado a um sistema penitênciário ineficiente e cruel. E eu me sinto culpada, vai ver por ser apenas mais uma banana.
Me sinto uma banana que não entende por onde deveria começar, uma banana que não sabe como fazer nem com quem dialogar. Uma banana que adoraria ter instruções básicas de contra-ataque, de defesa, união e de organização.Uma aula de fono quem sabe para melhorar a dicção.
“O que me preocupa não é o grito dos maus. É o silêncio dos bons.” Martin Luther King
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